Multiplasingularidade

Um espaço singular e coletivo sobre o que é meu e que também diz respeito aos outros. Onde irei compartilhar os passos nessa trajetória que estou experienciando.

As marcas das psicólogas

Coisa que tenho colocado em analise é a minha relação com a Psicologia. Pensando sobre relembrei minhas experiências com as psicólogas que passaram pela minha vida e foram experiências bem curiosas.

Lembro que a primeira foi na pré-escola, onde eu fui a única criança a ir pra psicóloga, acho que era uma estagiária lembro apenas de sair da sala ir para uma outra sala no segundo andar, com cortinas e meio escura onde eu ficava brincando com ela, depois disso eu voltava para minha sala de aula. Nunca descobri porque eu era a única a ir lá.

A outra experiência foi bem mais tarde, devia ter cerca de 15 anos e odiava fazer aula de educação física então, tive a ‘ brilhante ideia’ de arrumar uma psicóloga no mesmo horário da aula para ter atestados. Procurei uma pelo SUS, lembro que cheguei lá e disse que meu objetivo era esse, a psicóloga concordou dizendo que me dava os atestados afinal o salário dela já estava garantido. Os atendimentos eram em uma sala com divisórias de madeira, onde eu ouvia toda a sessão do paciente anterior a mim, e das ‘conversas de comadre’ onde ela me contava suas historias de infância, falava sobre o seu medo de atender o paciente que vinha depois de mim, um rapaz do presídio que segundo ela era esquizofrênico. Mas nunca, pelo menos em nenhuma das minhas recordações ela perguntou por que eu não gostava da educação física, ela fez tudo menos me ouvir. Parei de ir aos atendimentos quando descobri que podia ser uma boa goleira, comecei a fazer educação física e esqueci a psicóloga.

Depois disso fui em outra que depois descobri que dizia ser psicóloga mas tinha era um curso de formação em psicanálise. Lembro que minha mãe que me mandou ir, eu era uma adolescente muito rebelde ,na opinião dela. Ah aquela lá era meio doida lembro que ela misturava um monte de coisas, o consultório era cheio de pirâmides, incensos, velas. Aplicava técnicas que hoje penso seram de meditação, me ouvia bastante mas parecia não saber o que estava fazendo. No final de cada sessão ela me abraçava e dizia que me amava, nossaaaa eu não gostava daquilo agüentei um tempo e fugi dela, apesar das ligações perguntando se eu voltaria nunca mais voltei.

Todas essas situações me marcaram de alguma forma, e certamente me influenciam hoje quando eu estou nesse lugar. Pensando em como eu me sentia retomo algo que escrevi há algumas semanas quando estava bastante desanimada:

Eu acho que não quero atender na clinica to achando tudo muito complicado, ou chato, não compreendo o que vou fazer… Para que serve um atendimento psicológico? Será que eu posso ajudar alguém assim?

E realmente essas angústias que tive, trazem muito das coisas que me marcaram, como a ideia de que a última psicóloga não sabia o que estava fazendo, ou não saber realmente qual a finalidade do atendimento pois nenhum deles foi terapêutico pra mim, não me ajudou de nenhuma maneira. Provavelmente muito do meu desânimo e da falta de confiança partam das marcas que essas psicólogas deixaram em mim, de que de nada adiantou, de que não se produz nada.

Colocar em questão essas coisas tem sido bastante importante pra mim e percebo como um movimento de progresso, saí da fase da indiferença!!!!!!! To elaborando!

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mario Quintana

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