Multiplasingularidade

Um espaço singular e coletivo sobre o que é meu e que também diz respeito aos outros. Onde irei compartilhar os passos nessa trajetória que estou experienciando.

Os imprevistos…

Há alguns dias estava pensando em retomar os atendimentos com crianças, retomar porque já tive uma paciente de 09 anos que foi apenas uma vez, acabou faltando, e foi desligada. Quando isso me aconteceu estava na fase de frustração com os desistentes e não quis mais atender crianças. Justificando que não gostava da entrevista com os responsáveis. Na verdade não achei a coisa mais confortável do mundo, a única entrevista com a avó da menina que tive, mas também a mulher falava muito, e eu não conseguia interrompê-la, sem contar que a parede atrás dela era de ladrilho e batia o sol da janela, e eu mal enxergava com aquele brilho todo. É eu acho que me precipitei ao falar com apenas um atendimento que não gostava de entrevistar os responsáveis e principalmente em evitar atender crianças.

Mas meu desejo, minha curiosidade foram maiores do que as minhas suposições, conversando com uma colega de estágio que atende crianças e parece ser apaixonada por isso, me contagiei, percebi minha vontade surgindo, fui amadurecendo a ideia, pesquisando um pouquinho, indagando daqui e dali, pedindo ajuda pro supervisor e marquei meu novo paciente, um menino de 06 anos, liguei pra mãe dele e pedi que viesse.

Marquei para uma quinta-feira pela manhã, nos dias antes do atendimento fiquei pensando como iria fazer, entrevista inicial, o que eu teria que perguntar, em que sala atenderia, me programei pra tudo, ok!

Chegou a quinta-feira eles chegaram atrasados, é eles, o menininho também veio, na hora pensei: _Bom, ele fica ali sentadinho na sala de espera com a secretária desenhando, ótimo! Cheguei pra ele e falei isso, e pra minha surpresa, ele se grudou na perna da mãe e balançou a cabeça em sinal de negativa me olhou e disse um NÃO. Eu, a mãe e a secretária insistimos, mas não houve jeito, cada vez ele se agarrava mais na perna da mãe. Na hora pensei:_Poxa não era assim que li no livro!

Mas… Será que não seria muito pedir pra uma criança de 06 anos de idade, ficar sozinho, longe da mãe em um local estranho, com pessoas estranhas? Que tipo de cuidado eu daria pra ele naquele momento, levando sua mãe e o deixando sozinho, contra sua vontade?

Não pensei em fazer outra coisa senão convidá-lo a vir junto para a sala e combinar com ele que eu e a mãe conversaríamos enquanto ele brincaria com o que tivesse na sala. Óbvio que acredito que a entrevista inicial não deva ser feita com a criança junto, porque percebi que houve vários assuntos que a mãe não conseguiu falar pela presença dele, além de algumas pequenas interrupções, mas na hora pensei no contexto da situação, no vínculo que estabeleceria com ele e acho que foi o que podia ser feito.

Pois é, e ai se não está escrito no livro se faz o que?

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